O problema do lixo: por que a reciclagem de materiais, isoladamente, não resolve o problema dos resíduos?

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, a reciclagem ainda não a única (e nem a melhor) solução para o problema do lixo que produzimos em nossas residências. A afirmação acima pode chocar muitas pessoas – e muitas que acreditam ser ecologicamente corretas por separarem seus resíduos de casa.
Existem vários motivos para essa afirmação (sim, ela é muito perturbadora) e são eles:

  1. Você tem certeza de que seu lixo é reciclado, mesmo quando faz a separação entre “secos” e “orgânicos”?
    Problema: Muita gente pensa que o caminhão das cooperativas de reciclagem passa em suas ruas e leva seus resíduos secos para reciclagem. Isso pode ser verdade para uma minoria.Existe uma grande desinformação entre os órgãos públicos e a população; e verdade seja dita: a maioria das pessoas não está nem aí. Minha afirmação é corroborada pela recente matéria publicada no jornal O Globo que mostra que apenas cerca de 3% de todo o lixo do Brasil é reciclado.

    Solução
    :
     A nível individual, a única maneira que eu encontrei de ter certeza que meus resíduos sólidos seriam reciclados foi levar eu mesma para cooperativas de reciclagem. É claro que dá mais trabalho (e ninguém quer sequer pensar em ter que fazer isso), mas cada um é responsável pelo destino dos seus materiais! É preciso pararmos de colocar toda a culpa na administração pública. Precisamos começar a dar o exemplo para as pessoas ao nosso redor levando nossos resíduos para essas cooperativas (sem falar que você estará ajudando várias pessoas que dependem dessa renda para viver, pense nisso; é um gesto extremamente enobrecedor). Por outro lado, a nível de administração pública, você tem a responsabilidade de cobrar dos órgãos competentes que removam os resíduos do seu bairro / da sua cidade de forma apropriada.


  2. Se os seus resíduos “secos” são reciclados, o que acontece com os “orgânicos”?
    Problema
    :
    Bom, os seus resíduos “orgânicos” (que frequentemente não têm nada de “orgânicos”) – tais como restos de alimentos, papel higiênico, absorventes femininos, fraldas, etc. – estão indo para o bom e velho lixão! Legal, né? Ali eles apodrecem junto com os outros 70% dos resíduos “secos”, gerando chorume que penetra no solo e, consequentemente, cai nos lençóis freáticos, contaminando toda uma estrutura subterrânea de distribuição de água. A cereja do bolo: 20% do metano (um gás mais potente do que o CO2 para o efeito estufa) que é gerado no planeta Terra vem dos aterros sanitários (vulgo lixões)! Pertubador, não?!

    Solução
    :
    A nível individual, você pode realizar a reciclagem de orgânicos – também chamada de compostagem – em casa. A Morada da Floresta e a e-Cycle (além de outras lojas) oferecem várias composteiras para que você coloque seus restos de alimentos, reduzindo enormemente o que vai para os aterros sanitários. Recentemente São Paulo iniciou um projeto pioneiro chamado Composta São Paulo. Os resultados do primeiro ano do projeto estão no vídeo abaixo.

    Essas composteiras transforam seus orgânicos em adubo para as plantas! Note que não abordei os problemas dos absorventes íntimos femininos nem das fraldas, que não vão para a composteira por terem componentes plásticos e sintéticos. A solução para isso são as opções reutilizáveis (ecoabsorventes e fraldas de tecido). Em termos de fraldas, as alternativas reutilizáveis são conhecidas, mas as opções alternativas para absorventes femininos não são tão conhecidas. A Morada da Floresta também oferece opções! Veja o vídeo abaixo sobre os ecoabsorventes:

    A nível de administração pública, vários países já possuem coleta seletiva para os resíduos orgânicos que são destinados para usinas de biogás. Na Alemanha, cerca de 75% dos orgânicos vão para essas usinas, criando fertilizantes em grande escala para produção de alimentos (uma excelente solução para o empobrecimento do solo, que ocorre em grande escala, dada a dimensão da produções de alimentos) e biogás. Não acredita em mim? Veja este TEDx do Paul Sellew, o rei da compostagem (em inglês apenas):

    É interessante conhecer casos de pessoas que construiram mini-usinas de biogás em casa! Logo abaixo temos uma história de um grupo de pessoas que moram na Zona Leste de São Paulo (reportagem da Rede Record) — atualização em 29/03/2016: o vídeo foi removido do YouTube, infelizmente.


  3. Se o seus resíduos não são reciclados e não vão para os aterros, para onde vão?Pense bem… se não vão para nenhum desses locais, seus resíduos vão parar em locais como os oceanos. Sabe a história daquela ilha de plástico no Pacífico? (Se não, faça uma busca no Google imagens) Hoje já existem diversas regiões de acumulação de lixo nos oceanos, não apenas no Pacífico. Isso tudo poderia, sim, ser reciclado. E por que não é? Resposta: porque nós não nos responsabilizamos pessoalmente pelo destino de nossos resíduos. A verdade dói, eu sei. 😦

  4. Muitos materiais não são reciclados por falta de viabilidade econômica.
    É exatamente o que acontece com o isopor! Poucos lugares aceitam esse material para ser reciclado e sabe qual o motivo? Por ser um material leve, as cooperativas e as estações de reciclagem não querem investir em um transporte para levar e trazer o isopor para tratamento, enquanto podem levar e trazer materiais com maior custo-benefício. Parece piada não? Ainda mais se tratando que um material altamente poluente e tóxico!


  5. Reciclagem custa caro e quem vai querer investir nisso? 
    Este problema tem sido enfrentado pela maior economia do mundo. Há poucos dias saiu um artigo na Washington Post sobre isso (clique aqui para ler). Apesar dos materiais reciclados serem uma fonte de matéria prima mais barata para outros materiais, ela também é suscetível às flutuações do mercado. Infelizmente, seu valor também tem decrescido.


  6. Reciclagem também é poluente, emite gases estufa, gasta muita água e energia elétrica.
    Simplesmente porque a reciclagem faz parte da indústria e a indústria por si só é poluente, emite gases estufa, precisa de água para o seu produto final e necessita de energia elétrica para poder funcionar. O Brasil, dado o problema da seca, tem usado usinas termoelétricas que queimam carvão e emitem muitos, muitos, MUITOS gases estufa! (Ou seja, não esqueça de economizar energia elétrica em casa, até porque também está muito cara!)



Eu poderia escrever muito mais sobre os motivos pelos quais a reciclagem não resolve, isoladamente, o problema do lixo, mas acho que seis motivos são o suficiente para fazermos pensar na grandiosidade do problema a ser resolvido. Por isso, eu proponho a seguinte reflexão:

Por que não geramos menos lixo?

Mas COMO?!!?!?!

A ideia é que a reciclagem seja o último recurso, caso você não consiga reduzir sua produção de lixo. Lembram-se da pirâmide?

  • Passo 1: Recuse o que não precisa.
  • Passo 2: Reduza o seu consumo excessivo.
  • Passo 3: Utilize e reutilize as coisas até o seu potencial máximo.
  • Passo 4: Recicle o que não der mais para aproveitar (inclusive os orgânicos, em forma de compostagem).

Siga as dicas e orientações deste blog e páginas associadas. Veja os Links Interessantes e os Vídeos Interessantes, além dos outros itens do menu do blog.

Para finalizar, deixo este vídeo do Story of Stuff (com legendas em Português) sobre o tratamento do lixo – e como soluções diferentes para os resíduos podem realmente refletir nos resultados a longo prazo.

Fique ligado! Vamos abordar cada um dos tópicos da pirâmide nos próximos posts! 😉

7 comentários sobre “O problema do lixo: por que a reciclagem de materiais, isoladamente, não resolve o problema dos resíduos?

    • MDAstro disse:

      Oi Laís! Pois é, é um projeto que começou ano passado e eu cheguei a me inscrever, mas não fui selecionada. Daí comprei minha própria composteira, hehehehehe! Estou me divertindo com as minhocas! 😛
      Pelo o que eu soube, haverá uma próxima chamada para quem quiser se candidatar a participar do projeto. Quem puder, também pode adquirir sua própria composteira nos sites que eu mencionei no post. 😉

      Curtido por 1 pessoa

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